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Segunda-feira, 27 de julho de 2026

Culture

Consequências do colonialismo, literatura e provérbios debatidos pelo Projecto Dikanda do Reino do Kongo

Por João Mateus27 de julho de 20260 visualizações
Consequências do colonialismo, literatura e provérbios debatidos pelo Projecto Dikanda do Reino do Kongo

Consequências do colonialismo a nível científico e artístico, literatura

infantil, provérbios, religião, entre outros assuntos, foram temas

debatidos pelo Projecto Dikanda do Reino do Kongo em colóquios

ocorridos no Instituto Camões – Centro Cultural Português e no

Magistério Mutu-ya-Kevela, em Luanda.

Estiveram no centro das apresentações do evento os académicos Patrício

Batsîkama, Ndonga Nfuwa, Petelo Nguinamau, Agnela Barros, Filemon

Buza, Joaquim Rescova, entre outros.

Durante o evento, abordaram-se temas como ‘Estruturas Políticas e

Administrativas do Antigo Reino do Kongo’, ‘O Reino do Kongo Pré-

Colonial: Uma civilização milenar’, ‘A Figura de Kimpa Vita: Profetisa do

Reino do Kongo como símbolo de Resistência africana’, bem como

‘Sincretismo Religioso e Messianismo na Realidade Kongo: Uma Reflexão à

Luz da Religião Africana’.

O primeiro tema ‘Estruturas Políticas e Administrativas do Antigo Reino do

Kongo’ foi dissertado pelo historiador, filósofo e antropólogo angolano

Patrício Batsîkama. Autor de muitos artigos científicas e inúmeras obras, o

também pai da corrente Etonismo abordou a Batalha de M´banza Kongo,

de 1504, como demonstração da existência de estruturas políticas e

militares sólidas no antigo Reino do Kongo, bem como uma filosofia

própria endógena.

A abordagem sobre ‘O Reino do Kongo Pré-colonial: uma civilização

Milenar’ coube ao linguista Ndonga Nfuwa, que considerou, na ocasião, o

Kongo uma nação com forte unidade identitária, destacando M’banza

Kongo como símbolo unificador da etnia Bakongo, cuja língua é o kikongo,

falada em Angola, na República do Congo, na República Democrática do

Congo e no Gabão, originando, segundo o académico, um conjunto de

variedades.

Outro assunto que mereceu atenção é ‘A Figura de Kimpa Vita: Profetisa

do Reino do Kongo como símbolo de resistência africana’, proferido pelo

Professor Doutor Petelo Nguinamau, afecto à Faculdade de Humanidades

da Universidade Agostinho Neto. O especialista em Literaturas destacou a

história das religiões que oferecem exemplos de messianismos religiosos.

Ao longo da prelecção, defendeu que o messianismo religioso não só

deixa uma forte incidência sociocultural na história africana, como

também na vida corrente dos povos africanos. A abordagem referiu-se à

figura de Kimpa Vita como uma personagem messiânica que marcou a

história do Reino do Kongo no século XVIII.

Os colóquios também foram marcados por oficinas culturais que

trouxeram como discussões provérbios na língua kikongo, literatura

infantil e o projecto Dyembu Dyetu (nossa aldeia, em português). De

acordo com os especialistas do evento, os provérbios na língua kikongo

configuram-se como saber multifuncional, uma vez que articulam

oralidade, gesto, memória, entoação e contexto num acontecimento

performativo de linguagem.

A Oficina de Literatura Infantil consistiu em formar leitores por meio de

leitura, oralidade, escrita criativa, ilustração e dramatização, inspiradas

nas tradições do Reino do Kongo.

O Projecto Dyembu Dyetu, que quer dizer ‘nossa aldeia’ em português,

está virado para estudos avançados das manifestações culturais das

comunidades rurais angolanas, com o objectivo de preservar e de divulgar

o vasto património imaterial angolano.

O objectivo do Projecto Dikanda do Reino do Kongo é abordar

experiências, perdas, memórias, percepções actuais e vasto mosaico

resultante de investigações. É dirigido pelo artista Jamil Osmar ‘Parasol’ e

surgiu de questionamentos e imaginações que um grupo de indivíduos

talentosos e instituições se colocou a propósito das fronteiras que hoje

dividem o antigo Reino do Kongo, definidas na Conferência de Berlim

(1884-1885).

Financiado pelo programa Espaços Europeus de Cultura dos Institutos

Nacionais de Cultura da União Europeia (EUNIC), o Dikanda do Reino do

Kongo é uma iniciativa do Camões - Centro Cultural Português, Goethe-

Institut Angola, Casa de Cultura e Artes Ubuntu, Rádio Nacional de Angola

e do Teatro VOVA, com os apoios do Ministério da Educação, Governo

Provincial do Zaire, Museu Regional do Reino do Kongo e Refriango.

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