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Quinta-feira, 9 de abril de 2026

Infraestrutura e Desenvolvimento

OGE 2025 reforça aposta na protecção social para atenuar subida dos preços dos combustíveis

Por Administrador8 de dezembro de 20240 visualizações
OGE 2025 reforça aposta na protecção social para atenuar subida dos preços dos combustíveis

As verbas cabimentadas para Protecção Social no Orçamento Geral do Estado do próximo ano vão crescer 58% face ao orçamento em execução, ao passar de 868,2 mil milhões de kwanzas para 1,4 biliões. São 507 mil milhões de kwanzas a mais para 2025 do que aquilo que está previsto ser gasto este ano com o objectivo de minimizar o impacto da subida dos preços dos combustíveis no próximo ano.

O Governo justifica este aumento com os objectivos de elevar o número de beneficiários de transferências monetárias sociais através do programa Kwenda, bem como o de reduzir a população que vive abaixo do limiar de pobreza de 2,15 USD por dia. A contribuir para este aumento estão também as verbas destinadas ao ajustamento das pensões de reforma, que resultam do aumento em 25% dos salários base da função pública.

O reforço da aposta na protecção social surge numa altura em que o combate à pobreza e à fome está em cima da mesa, tendo o Presidente da República, João Lourenço, no seu discurso em Setembro em Nova Iorque (Estados Unidos), durante uma conferência das Nações Unidas ter alertado que a erradicação da pobreza deve ser uma prioridade global. João Lourenço considerou que este é “o maior desafio global do nosso tempo e um requisito indispensável para alcançar o desenvolvimento sustentável”.

Este aumento de verbas destinadas à protecção social surge também numa altura em que o Governo já anunciou que vai continuar o processo de retirada dos subsídios aos combustíveis, pelo que gasolina e gasóleo vão voltar a aumentar no próximo ano, tendo como consequência o agravar das condições de vida da população que, desta forma, vê o seu poder de comprar baixar ainda mais. Só para se ter uma ideia sobre a pobreza em Angola, segundo o World Poverty Clock (relógio da pobreza), um projecto do Governo da Alemanha, que mede o número de pessoas em pobreza extrema por cada país, em Angola actualmente 11.380.828 pessoas têm menos de 2,15 USD por dia para despesas básicas como alimentação e saúde, o que as empurra para o patamar da pobreza extrema. Trata-se de quase um terço da população angolana (32%). Número esse que não pára de subir. Antes da pandemia da Covid-19, 29% da população angolana vivia em pobreza extrema, um sinal preocupante já que demonstra que de lá para cá as condições de vida dos angolanos têm-se vindo a degradar.

Assim, com o aumentar de verbas para a protecção social, o Governo dá um claro sinal de que se está a preparar para tentar melhorar a qualidade de vida dos angolanos, mas a subida programada dos preços da gasolina e do gasóleo deverá esbater esse reforço de verbas.